Estrutura Metálica

Montagem de Estruturas Metálicas: 10 Cuidados Essenciais

A montagem de estruturas metálicas é um serviço especializado que exige cuidados essenciais. Não é por acaso que existem empresas especializadas somente na montagem das estruturas.

Além de exigir mão de obra qualificada este tipo de montagem exige a utilização de diversos equipamentos de montagem, como gruas e guindastes.

Diferentemente do concreto armado que não exige processo de montagem, deve existir uma avaliação criteriosa da estabilidade das peças estruturais durante a montagem da estrutura metálica. Ou seja, esta montagem é planejada. Cada peça tem o momento correto de ser instalada.

Apesar de ser um serviço especializado, o processo de montagem pode ser rápido e prático. O que irá interferir muito na velocidade de montagem é a complexidade da estrutura, a característica das ligações e o acesso de equipamentos e profissionais aos postos de trabalho.

Como todo serviço da construção civil a montagem deve ser feita observando todas as normas vigentes e a boa prática da engenharia. Além disso, todos os cuidados possíveis quanto à segurança dos profissionais envolvidos devem ser tomados.

10 Cuidados na montagem de estruturas metálicas

Os cuidados que serão listados a seguir são para estruturas metálicas em geral, entretanto cada tipo de empreendimento possui cuidados próprios que também devem ser observados. Por exemplo a montagem de um galpão exige cuidados diferentes da montagem de uma ponte.

1 – Cuidados com o transporte:

cuidados na montagem de estruturas metalicasBoa parte das estruturas metálicas são fabricadas e montadas em lugares diferentes, o que faz necessário o transporte das peças metálicas, que na maioria dos casos é feita por meio rodoviário.

A fabricação das peças deve observar também a disponibilidade dos meios de transporte.

O primeiro cuidado é quanto à escolha do meio de transporte e do tipo de veículo mais adequado. O veículo deve ter as dimensões necessárias para comportar a peça e ter capacidade de carga condizente com o peso das peças a serem transportadas.

Deve-se tomar precauções também quanto ao trajeto, pois diversas rodovias possuem limitação de altura, largura e peso máximo dos veículos. Um ponto de destaque são as pontes, em caso do transporte de estruturas metálicas especiais é importante que seja feita uma avaliação das condições da ponte.

A ordem de embarque das peças também deve ser avaliada conforme o processo de montagem. Além disso, as peças mais pesadas devem ser embarcadas primeiro e em seguida as peças mais leves. É indicado utilizar caibros de madeira entre as peças transportadas.

2 – Armazenamento da estrutura metálica:

O primeiro cuidado quanto ao armazenamento das peças é o espaço. Ele deve ter tamanho suficiente para acomodar as peças com segurança, também deve ser planejado para não interferir no andamento da obra.

As peças devem ser armazenadas separadas por pontaletes de madeira, afim de facilitar a utilização das cintas para içamento das vigas e pilares. Algumas peças metálicas possuem limites de peso para armazenamento, como as lajes steel deck, para este tipo de elemento deve ser respeitado o número máximo de placas empilhadas indicado pelo fabricante.

Durante o armazenamento devem ser tomados cuidados importantes no combate à corrosão. As peças não devem ficar semienterradas ou submersas, além disso é importante evitar o acúmulo de água e resíduos entre as peças e o contato de outros metais com o aço para inibir a ocorrência de corrosão galvânica.

3 – Escolha dos equipamentos necessários:

A montagem de estruturas metálicas exige a utilização de equipamentos e máquinas pesadas. Os equipamentos mais utilizados são os guindastes e as gruas, que são responsáveis pelo içamento vertical das peças metálicas.

Para escolher o equipamento ideal para a obra devem ser observadas as características de cada empreendimento e a disponibilidade do equipamento na região da montagem da obra.

Para a escolha de uma grua ou guindaste devem ser observados os seguintes critérios:

  • Altura total da estrutura;
  • Carga máxima de içamento;
  • Raio de operação do equipamento;
  • Maior momento de tombamento;
  • Posicionamento do equipamento durante a montagem.

Além disso, as condições naturais também devem ser observadas na escolha do equipamento, como:

  • Resistência do solo para suportar o peso do guindaste;
  • Ventos fortes;
  • Terreno desnivelado ou acidentado;
  • Cargas fora do prumo;
  • Impactos devido o balanço da carga.

Outros equipamentos também são necessários para a montagem como grupos geradores, compressores de ar e equipamentos de montagem.

4 – Utilização de técnicas de içamento adequadas:

O içamento é uma das atividades que devem ser realizadas com muito cuidado, pois podem provocar acidentes graves, caso seja feito de forma incorreta ou imprudente.

Para um içamento seguro é importante a determinação de dois pontos importantes: a carga útil da peça e o centro de gravidade da peça.

A definição da carga útil da peça pode ser feita de duas formas. A forma mais simples é consultar o projeto e a lista de materiais e averiguando lá qual o peso total da peça com acessórios. Outra forma é calcular o peso da peça in loco a partir de cada elemento constituinte. A forma ideal é utilizar as duas paralelamente, afim de evitar erros e aferir o peso das peças.

A definição do centro de gravidade da peça será essencial para um içamento estável. Para peças simétricas o centro de gravidade estará no meio da peça.

Içar uma peça sem o correto posicionamento do gancho no centro de gravidade pode provocar movimentos indesejados na peça. O risco de acidentes neste caso é muito grande, podendo atingir o próprio equipamento ou as pessoas envolvidas na operação.

Além disso para um içamento seguro são necessários diversos acessórios e equipamentos de apoio. Em alguns casos são montadas verdadeiras estruturas auxiliares para içamento de peças mais pesadas e complexas.

5 – Cuidados com as ligações soldadas:

A utilização das ligações soldadas na montagem de estruturas metálicas deve ser inspecionada conforme as normas vigentes. É de responsabilidade do montador da estrutura metálica a qualidade e segurança das soldagens realizadas.

Antes de iniciar o processo de sondagem devem ser averiguadas todas as informações referentes ao processo, como:

  • Processo de soldagem;
  • Tipos de junta;
  • Configurações das juntas;
  • Especificação e espessura do material base;
  • Especificação e classe do material depositante;
  • Temperaturas mínimas e máximas;
  • Parâmetros de soldagem;
  • Controle do material de solda.

Além disso, para um bom processo de soldagem é importante adotar os procedimentos de soldagem pré-qualificados conforme normas em vigor, equipe qualificada e treinada e a inspeção das soldas.

Quando necessário devem ser realizados os ensaios para verificação da qualidade do serviço executado.

6 – Cuidados com as ligações parafusadas:

O primeiro cuidado quanto a ligação parafusada é na separação e classificação dos parafusos conforme indicação de projeto. Em uma obra podem existir parafusos de tipos, diâmetros e comprimentos diferentes. É importante ter cuidado para não ocorrer confusão na utilização adequada dos parafusos.

Outro ponto importante é no preparo da superfície para realizar a ligação das peças. As superfícies devem estar isentas de tinta, óleo, graxa, sujeira, ferrugem, rebarbas ou qualquer outro elemento que impeça o contato perfeito dos elementos de fixação com a peça.

Um cuidado importante é quanto ao torque aplicado sobre o parafuso. Este torque não deve exceder o indicado para cada tipo de parafuso e o limite imposto pela ligação das placas. Caso o torque extrapole este limite pode gerar tensões de tração e alongar o parafuso.

7 – Observar os limites de tolerância da estrutura:

Todas as peças possuem um limite de tolerância especificados por norma ou pelo projeto de estrutura metálica.

Para uma montagem de estruturas metálicas adequada estes limites de tolerância devem ser observados.

O montador deve estar atento aos erros existentes e verificar com base nos limites de tolerância se estes erros não prejudicam o funcionamento da estrutural ou se chegam a inviabilizar a montagem.

Para cada tipo de peça e de estrutura metálica são indicados limites de tolerância a serem observados. Existem três tipos de tolerância distintas, a tolerância industrial, a tolerância de fabricação e a tolerância de montagem.

Estas tolerâncias também são classificadas pelo Eurocode como:

  • Normais: limites para todos os tipos de edificações;
  • Particulares: são mais rigorosas que as normais, mas que se aplicam a certos componentes;
  • Especiais: são mais rigorosas que as normais, mas se aplicam a determinada estrutura ou projeto.

8 – Cuidado com a estabilidade estrutural durante a montagem:

Outro ponto importante é o cuidado com a estabilidade de toda a estrutura durante a montagem.

Para isto é elaborado um plano de montagem que leva em consideração as cargas acrescidas progressivamente e o funcionamento das peças já instaladas durante este acréscimo de cargas.

É essencial obedecer ao plano de montagem, assim será garantido o funcionamento adequado da estrutura em cada fase da construção e não somente na fase final.

O plano de montagem é muitas vezes um fator determinante no custo da montagem de estruturas metálicas. Por isso, a determinação deste plano é usualmente realizada pela empresa já contratada para a montagem.

9 – Utilização de profissionais especializados:

Outro cuidado importante é a utilização de profissionais especializados para este tipo de serviço. Devem ser profissionais devidamente treinados e capacitados para cada tipo de operação.

A montagem de estruturas metálicas envolve a utilização de diversos tipos de equipamentos específicos. Desde a utilização de equipamentos pesados como gruas e guindastes a equipamentos mais leves como os instrumentos de solda.

Somente com uma equipe devidamente qualificada a montagem ocorrerá com a qualidade necessária, custo adequado e segurança exigida.

Por isso, é essencial contratar equipes especializadas neste trabalho, ou passar este serviço ao próprio fabricante das peças metálicas.

10 – Utilização de equipamentos de segurança:

O último cuidado indicado para a montagem de estruturas metálicas é a utilização de equipamentos de proteção individual e coletivos.

O grande risco na montagem de estruturas metálicas é o risco de quedas. Para evitar este tipo de acidente é importante que a montagem seja planejada com a utilização de equipamentos como:

  • Escadas permanentes ou temporárias;
  • Pisos metálicos ou pranchas no andar inferior;
  • Plataformas modulares temporárias;
  • Guarda-corpos, barreiras e sistemas de proteção de quedas;
  • Pontos de ancoragem;
  • Cabos guia;
  • Redes de segurança.

Outros cuidados quanto a segurança é dar preferência as ligações parafusadas em campo e soldadas em fábrica. Outro ponto é eliminar dos elementos estruturais pontas ou cantos cortantes.

Considerações Finais

Como pode ver, a montagem de estruturas metálicas não é para qualquer equipe. São diversos serviços especializados que exigem cuidados essenciais para uma boa execução e para a segurança dos envolvidos.

Não deixe de consultar uma empresa especializada em montagens antes de executar o seu serviço. Os custos com uma equipe inexperiente ou mal treinada podem ser muito maiores que o custo de terceirizar este processo.

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Eduardo Daldegan é formado em Engenharia Civil pela PUC-MG. É apaixonado por empreendedorismo e hoje trabalha em diversos projetos. É casado e seu maior empreendimento é a construção da sua família.

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